Imagino



"De onde estava
Percebi a tal tempestade
Ao ir de encontro às telhas
Me atraia sua melodia
Tão forte era meu querer 
Quanto os estrondos que ela produzia

Você que banhou-se
Imagino boca aberta
A aparar as gotas a cair do alto
Rosto molhado
Voltado para o céu
Braços estendidos em forma de abraço
Abertos à liberdade
Penso livre
Mas atado a instantes
Que
retidos irão permanecer

Imagino sorriso nos lábios chuviscados
Venturoso a viver intensamente aquele tempo
Lábios sorridentes
Mas calados pelo cuidado
Num silencioso grito de alma aflita

Imagino olhos irrigados
Por lágrimas camufladas
Olhos onde me refugiei
Neles acreditei
E foi assim que letras
Jamais me levaram à duvida
Olhos que em siceridade
Já haviam dito
Que quando deles careci
Estiveram comigo
Agarrei-me a eles
E não mais os soltei
Eles fizeram morada em mim
E ainda vivem aqui."