Sem Guarda-folha


“Lá fora chove
Aqui dentro caem as folhagens
Dos cedros que se despem
Por toda parte permanecem caídas

Só ela abraça o meu quarto, nesse instante
A noite fria a ela é propícia
Um guarda-folha não há
Dela são as folhas que caem pela
Ausência do ar, na
Dimensão em que as folhagens revestem
Esse banco vazio

Nele só ela se assenta
E as folhas juntas a ela descansam
A espera do sopro que logo virá para arrastá-las
Vou submerso como mais uma folha

Se trata não exclusivamente da falta
Ausência tão somente, nem
Unicamente de carência
De insuficiência
A sua definição
Depende do subjetivo
E está apensada ao que volveu escasso.

Chove lá fora
Todavia cá o frio apraz-me
Estende-se sobre superfície da minha pele
Impetrando o meu íntimo no qual ela persiste.”